A Fundação
No Final de 2019 tudo mudou para a nossa família. Tipicamente urbanos, a Advocacia sempre foi nossa atividade principal, quando saímos da cidade com nossos três filhos pequenos (5 e 3 anos e bebê de 3 meses). Nosso propósito era empreender com turismo rural (retiro cristão) e viver uma vida tipicamente campesina. Mas, em março de 2020, com todos os nossos projetos ainda no início, as perspectivas desmoronaram com a notícia da Pandemia (Covid 19). Estávamos ali, na “roça”, com três crianças pequenas, agora sem qualquer renda ou expectativa de sustento, afinal, tudo que tínhamos disponível investimos nesse sonho. O que fazer? Como ia ser dali por diante? Os dias passavam e mais aflitos ficávamos. Alexandre, advogado militante desde sempre, sem qualquer conhecimento, com ajuda*, resolveu plantar um campo de feijão, uma horta e outros cultivos. Eu, perplexa, tentava manter minha mente focada no cuidado de afazeres domésticos e com as crianças, mas as preocupações tomavam toda atenção, na verdade, já haviam me consumido, afinal, o plano era nos manter intactos daquele mal que assolava o mundo. Foi quando em uma tarde, em meio às minhas conversas com Deus questionando o que faríamos, ouvi em alto e bom som: OLHE O QUE ESTÁ AO SEU REDOR. Olhei e vi bananas, muitas delas. A horta crescendo, o feijão brotando na ladeira... e pensei: “de fome jamais morreremos, mas o que fazer com isso tudo? ” e novamente ouvi: “OFEREÇA AOS QUE TE CONHECEM”. Achei que era loucura da minha mente, mas obedeci. Enviei um texto aos conhecidos oferecendo aqueles produtos que iríamos colher, arrumamos caixas usadas de papelão, aquelas descartadas pelos supermercados, organizamos tudo, muito simples, mas cheio de afeto, e assim surgiu nossa PRIMEIRA CESTA! Dia 26 de abril de 2020, um domingo. Iniciamos essa missão com a nossa primeira entrega no Rio das cestas de produtos naturais, de produção originalmente de agricultura familiar. Desse dia até hoje, não paramos mais.